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6 de mai de 2009

Mate antes, pergunte depois

Mate antes, pergunte depois
Inocentes são vítimas de assassinato da PM


Na madrugada de anteontem, após uma longa perseguição, três jovens de classe alta foram mortos a balas em uma ação da famosa Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) no bairro nobre do Jardim América, zona oeste de São Paulo.

A tragédia se deu início quando os rapazes em volta do Puma de Roberto Veras estavam tentando furtar um toca-fitas e foram abordados pelo veraneio cinza da Rota 13.
Os adolescentes José Noronha Filho, Carlos Ignácio Rodriguez e Augusto Junqueira pularam o muro e correram de volta ao carro. Apavorados com a presença da polícia não ouviram ou não deram importância à ordem de prisão.
A perseguição ao Fusca Azul começou. O comandante da rota 13 permaneceu com a porta entreaberta para facilitar o momento propicio de disparo. O soldado responsável pela comunicação via rádio fez o primeiro contato com a Central de Operações. Sem verificar a diferença da chapa correta - EI 1565, o atendente confirma que o veículo era roubado.
Na Avenida Nove de Julho foram surpreendidos por uma radiopatrulha que fazia uma ronda de rotina. A nova perseguidora é a Rota 66.

O Veraneio cinza se aproximou mais do Fusca Azul. São duzentos, trezentos metros ou 15 segundos de distância. Os faróis ofuscaram na noite e a sirene parece o ruído de um monstro enfurecido e faminto por sangue inocente. O farolete portátil de cinco mil watts lança luzes no retrovisor de todos os carros à frente. Os motoristas, assustados, abrem caminho com dificuldade por causa do trânsito movimentado nesta madrugada de quarta-feira, no Jardim América. O Veraneio, com manobras bruscas, vai chegou perto, cada vez mais perto dos três garotos do Fusca azul. Eles estão na Maestro Chiafarelli e têm à frente uma parede de automóveis à espera do sinal verde para o cruzamento da Avenida Brasil.
O automóvel perseguido andava a 120 quilômetros por hora e logo chegou a Rua Argentina esquina com a Rua Alaska. O motorista, o jovem Noronha, perdeu o controle e atingiu um poste. Ele e o amigo Carlos Ignácio logo saíram de dentro do Fusca. Noronha clamou “Não atirem!”. Mas a misericórdia misturada à sede de morte da Rota 66 é cega e surda. Foram feitas 21 marcas de bala, a maioria na parte superior do fusca e 23 perfurações no corpo das três vítimas, em suma nas regiões vitais como coração e cabeça.
Os corpos, com a ajuda do PM Eli Nepomuceno que chegara depois ao local do acidente, foram arrastados de fora do fusca e levados nos compartimentos dos presos da Rota 17 ao Hospital das Clínicas, localizado a cinco quilômetros da cena do crime. Em menos de dez minutos é possível chegar até lá. Contudo, segundo os médicos do hospital, chegaram já com rigidez cadavérica. Os policiais forçaram o atendimento médico às vitimas mesmo estando mortas. As vítimas foram consideradas como desconhecidas até notificarem as famílias e elas identificarem os corpos.
Laudo comprova que
não houve disparos dos mortos

A PM indicou outra versão do ocorrido: Perseguição com tiroteio seguida de morte.
De acordo com esse relato, os disparos que vieram da polícia e a conseqüente morte dos jovens foram apenas uma resposta ao ataque primordial deles.
No Boletim de Ocorrência ditado pelos policiais, os jovens quando alcançaram a altura da esquina da Rua Alaska às 3 horas e 40 minutos, bateram num poste. Ao descerem do carro fizeram disparos contra a viatura. O laudo que saiu ontem que comprova que não houve um disparo dos jovens contradiz essa versão.

Para provarem sua inocência e conseguirem que impunidade reine mais uma vez, os policiais fingiram um gesto humanitário encaminhado as vítimas ao hospital, não providenciaram o isolamento da área e ainda violaram o local do crime que deveria ser preservado. Além do mais, apresentaram um Calibre 32 e dois calibre 22 de origem clandestina como se fosse às armas que os rapazes do Fusca Azul utilizaram.

Noronha, Pancho e Augusto foram outras das milhares vítimas desarmadas, indefesas, inocentes da atuação irregular da Rota.
Os policiais que participaram do assassinato cruel dos jovens, o Comandante Sgt. Felício Soares, Antonio Soria e José Humberto Lopes Martinez são membros da elite da PM. Eles aguardam o julgamento em liberdade.












Obs.1:
Isso me fez refletir: se o caso Rota 66 entre outros tivessem ocorrido em 2009 e não em 1975, seria diferente? Os policiais saíram impunes ou a justiça cumpriria seu papel?
Apesar de não estarmos mais vivendo uma ditadura, a liberdade, o respeito, a verdade e a justiça são censurados de uma forma sutil.
É por isso que paira nossa incerteza e descrença nos órgãos públicos.
Obs.2: Leiam Rota 66 do mestre Caco Barcellos.
obs.3: Matéria como Prova do livro Rota 66.

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