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22 de out de 2008

Quebrada Jornaleira Herykah Perossa

Descobri uma coisa legal hoje.

Meu tio avô virou nome de escola.
Pública, mas virou.

EMEI Agostinho Perazza

O irmão dele, meu avô, Júlio, tem um auditório com seu nome também.




E eu?
Continuarei com a marca do sobrenome da família?
Só quero ter um texto, um livro "por Érica Perazza".
Nem restaurante, nem cheques, nem filmes, nem teatro.
Uma marca, um rastro, uma trilha deixados por mim.

Esqueçam-se de mim, lembrem o que fiz, não quem fui.

Hum. Mas vou virar nome de rua, no minímo ou no máximo.

Rua Jornalista Érica Perazza.

Como acontece com jornalistas...

Agora aquele FDP do Roberto Marinho, pode ser uma avenida. ¬¬'
(Tenho um professor que disse que não passa nesta encruzilhada, perto, acho, da rua do Luis Eduardo Magalhaes. Segundo ele, é lá que o demo mora)

Tem o Morro do Maluf e outros logradouros só de gente fina.
Sabe onde fica a Rua Guimarães Rosa? Machado de Assis?
Bom, pelo menos conhecemos o GIG, o Aeroporto de Tom Jobim, mas é no Rio...

O mundo é injusto, mas me contento em meu nome ficar numa alameda do que na lama, numa embalagem de shampoo aguado ou numa lápide.

20 de out de 2008

Fulanos

- Hnf. Por que todo cara que eu acho bonito é gay?!
- Estamos numa balada GLS, Érica. - Sylvia respondeu sendo que não era bem uma pergunta.
- Mesmo assim! - exclamei, dando as costas aos homens presentes. Continuei bebendo minha Coca, com pensamentos que tendiam entre capitalismo e comunismo até heterossexualismo e homossexualismo. O casal lésbico do meu lado parecia não se incomodar que os machos de nossa espécie estavam entrando em extinção. Pelo menos era o que a cara delas - e aqui eu me limito em descrevê-las - demonstrava.
"Break The Ice" terminou bem ao meu último gole de refrigerante. Estava quente e eu ainda com sede, mas cogitei as calorias e a osteoporose futuras e então, pedi uma água. Sylvia quis ir para a pista de baixo e lá fomos nós. Foi uma jornada incessante atravessar todas aquela agitação saltitante, aqueles beijos espaçosos e aquelas mãos heteros que puxavam as minhas em vão.
Minhas outras amigas, Camila e fulanas, prefiriram ficar em casa, decompondo na internet do que sair comigo. Não sei por que eu preferia pensar que era por minha causa, por eu ser chata e desagradável e não na verdade verdadeira: medo de serem abordadas por lésbicas e medo de não serem abordadas por homens.
Ou seja, racismo.
Mas eu não posso julgá-las uma vez que tenho pré-conceitos também.
Acho que ficar fula da vida que de sábado só tem hetero e achar só os gays bonitos é preconceito da mesma forma.
Ah, não, isso é carma.
Droga.

E droga, vou ficar cheirando a cigarro novamente por três dias.
Eu não sei por que eu insisto neste mundo da 'night'. Não vale a pena moral e financeiramente. Ainda as consequências a saúde podem ser catástroficas.
E a atmosfera está pesada. Me sinto isolada e culpada por eu levar heteros hoje numa balada GLS e atrair heteros. Os gays me olham de soslaio com desdém. Sinto me distante de uma sociedade que me acolheu por eu ser tão marginalizada quanto eles. Mesmo que por motivos completamente diferentes.
Agora eles me enxergam com uma garota comum, igual.
Afastam-se de mim como se eu tivesse uma virose. Como Camila e fulanos fazem por motivos que se completam, por serem opostos e semellhantes.



Todos os meu mundos parecem fechados para visitação.

15 de out de 2008

Sub Species Aeternitatis

Ontem, depois da minha overdose de Schopenhauer, fiquei pensando sobre a morte.
Não de uma forma profunda como eu pretendia. Meus pensamentos só surfaram na superfície da minha mente e tenho certeza que mal tocaram na minha alma.
E, talvez, eu saiba por que.
É uma tema que todos temem e todos sabem. Todos sabem que um dia ou outro vai acontecer.
O que a gente não sabe é viver.
Passamos a vida toda procurando os patéticos caminhos da felicidade.
Queremos olhar para trás e dizer "valeu a pena".
Nos arrependemos, sempre cogitamos estúpidas milhares de vezes os 'se'.
"Isso não aconteceria. A vida era bem linear e irreversível."


Schopenhauer vê diferente. Ele diz que viver é sofrer, que a morte é um alívio.
Eu concordo com ele.
"Somos todos condenados a um sofrimento do qual podemos escapar."

E tenho outras opiniões e enquanto eu pensava nelas, trombei com a Gi no Msn.
Não lembro como o assunto começou quando comentou que havia feito uma lista de coisas para ela fazer antes de morrer.

E eu sempre tive essas listinhas de coisas que quero fazer na vida ( e nunca antes de morrer). E já cumpri quase tudo.
Já comprei aquelas bolachas importadas, já bebi tequila, já fui numa festa a fantasia, já conheci meus ídolos, ter um (!) amigo gay, ir numa balada GLS ( ¬¬'), viajar o mundo inteiro, ter uma banda, aprender italiano, alemão, francês, russo, mandarim, grego; ir ao um show, comprar persentes de Natal para minha família, ser rica, comprar maquiagem da MAC, ler milhões de livros e escrever os meus, entre outras coisas pessoas, mais futeis ou menos fúteis.

Ainda não pulei de pára-quedas nem andei de balão,
mas já fiz coisas que sempre quis fazer. Assistir filmes cults e ler livros cults. Já assisti vários e sei das filosofias das grandes mentes como Sócrates, Platão, Kant, Marx, Freud, Jung, Goethe, Schopenhauer, principalmente Nietzche e Dostoiéviski ( além de ler, escrever o nome dele também tava na lista). e etc! Eu queria ser alguém mais que inteligente, erudita, culta. Estou quase lá, sou uma pseudo-intelectual. Hahaha!
É, é isso que eu sempre quis, a sabedoria surprema. A única coisa imortal e que posso levar para qualquer lugar, qualquer momento junto comigo.

"O conhecimento é limitado, só a estupidez é ilimitada"

E disso concluo: Eu não vivo a vida, eu me preparo para a morte.
A minha morte que dá sentido a minha vida.
E agora eu percebo que o resto é material e portanto, descartável. São apenas desejos, que são coisas que é possível viver sem e me desprendi. (Nem tanto, não sou foda como os budistas)

Eu eu pensei, o que não posso deixar de fazer antes de morrer?
Realmente, algo sério, não sutil e fútil.

Então, fiz perguntei a minha amiga (doida) para conseguir perguntar a mim mesma.
E eu disse que só valia uma coisa.

E ela me respondeu "Sexo com um grande amor"

Eu pensava em Londres enquanto isso. Mas percebi que é um desejo meu assim como isso é um desejo dela. Respondi que "eu consigo controlar meus impulsos sexuais".

Eu queria é controlar a velocidade e intensidade dos meus pensamentos.
Colocar na lista: meditação.

(Mas já consigo conviver com 23451 pensamentos ativados ao mesmo tempo.0

E nós podemos viver sem desejos e sonhos. Isso é só o que nos incentiva a viver, a continuar caminhando pela estrada com destino a morte. (desejo não desejar...)
E num pensamento rápido, vi que eu não poderia jamais morrer sem completar uma necessidade.
Era, é e será uma coisa que eu TENHO que fazer antes de morrer.
Uma coisa que dignifica, significa, glorifica e fica não a minha vida, mas a minha existência como ser. Que marca a Érica. Que me faz viver e sobreviver, que me faz ser...
O sentido de tudo para mim desde o começo.











Publicar um livro.





Mostrar ao mundo tudo o que eu escrevi até agora. Porque o que eu escrevi é a minha vida.

Neste momento a frase de Schopenhauer se encaixa para mim "Consigo suportar a idéia de que horas depois que eu morrer, os vermes comerão meu corpo, mas estremeço ao imaginar professores criticando minha obra"



A morte é desconhecida e temida.
Não é o avesso da vida, mas uma parte dela.
Eu teria medo de nascer. Nascer sem saber respirar, acertar, andar, sonhar, desejar, falar, perdoar, ler, escrever, amar...

Na morte, não temos que aprender a morrer, não vamos errar.
É simples.
A vida é cheia de erros, de dor, de dúvidas, de decepções. ( de alegrias também, mas whatever haha)

quando morremos, levamos nosso conhecimento e amadurecimento, e mais nada, tudo e tdos que amamos, ficarão, então, isso faz ela ser melhor, ela faz nós sermos melhor quando nos pega.
A morte é só a morte, não é complicada como a vida.

a única contradição... :
E falamos do fim que alguém querido teve, falamos da morte dele? ou falamos da vida?
"E ele era um bom homem"
e falamos das conquistas, falamos da vida...







[ O título do latim : sob a perspectiva da eternidade.

É mais fácil ver a vida da morte, tudo parece pequeno e inútil, é bom para olhar o que deve ser visto. ]






Como na obra Shakespeare em Hamlet (ou Rei Lear, não sei agora) ele terminou escrevendo simplesmente:



" E ele morreu."

10 de out de 2008

A vida é uma situação temporária que possui uma solução permanente.



Uma frase que li hoje, puro Schopenhauer.
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