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1 de ago de 2008

Sexta-feira a noite

Sexta-feira, 21h36

Eu, uma nerd convicta, jovem e saudável em casa.

Balada?!
Hm, é uma felicidade momentânea, ou seja, uma simples alegria. Você vai lá se diverte e quando o seu pé lateja de dor, talvez você vai embora. (Isso depende da boa vontade dos seus amigos... ou do estado mental deles naquela hora.)
Quando então, a realidade volta a entrar poluidamente em seus pulmões.
O dia já está claro, as pálpebras pesando cansaço, seu ouvido com aquele irritante "piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii" que só para bem depois, mas antes daquele fedor de cigarro impregnado até na queratina da sua pele. Aliás, mesmo você tomando um super banho, passando umas três vezes shampoo no cabelo, parece que onde você vai tá cheirando cigarro. Essa sensação só sai uns dois dias depois, mas antes do que aquele sono acumulado que você só recupera na semana seguinte.
Mas isso você recupera ainda antes do que a quantia de dinheiro gasta em algumas horas.
Chapelaria, água, coca, entrada, maquiagem, perfume (inultimente gasto devido ao dito cheiro de cigarro), roupa, tempo, hm, shampoo, voz, celular, que mais? Seu estado de saúde é prejudicado drasticamente. Sua sensibilidade auditiva, vida últil do tanto do fígado quanto do pâncreas (haja paciência), pele fica mais oleosa, seu cabelo ressecado... Você pode sair com Cãncer de pulmão, alcóolatra sem tratamento, com úlcera, e também vai saber como é sua personalidade, hm hm, sifílis. Hahahaha!
Ou seja, baladeiros possuem uma expectativa de vida inferior aos nerds.
E quem pensa que dançando a noite inteira vai emagrecer, amiga, isto é lenda urbana.

Há a mera probabilidade de nós, nerds, sermos mais felizes. Sempre depois que você sai da balada, dá aquela melancolia nostálgica. Bons momentos sempre duram pouco e você vai ter que esperar vivendo a vida para algum outro acontecer... se acontecer.
Fora que parece que foi em vão... você sai de lá feio e fedido, cansado e pobre e continua a mesma pessoa medíocre.
Mesmo que você se matou de rir da sua amiga bebaça que despencou da escada com estilo, do seu amigo - até onde você sab..(ia) hetero, pegou uns cinco caras e que não sabe porque está sentindo dores estranhas; mesmo que tenha causado ao som daquela música que você ama e nem acredita que tá tocando, sim, mesmo que tenha se divertido horrores... às 7 da manhã tudo acaba.
Você volta para sua casa, é derrubado pela inconsciência na cama e só às 9 você adormece para acordar às 11 e ter um dia pateticamente normal. Somando que você fica dolorido, mais improdutivo e... eu já disse fedendo cigarro?

Repetindo, sua vida pateticamente normal...

Para você continuar sua vida, para continuar submisso a rotina, para continuar acreditando na realidade, para continuar fugindo até a imaginação com sonhos toscos, vontades insaciáveis, para continuar lutando sem um objetivo, para continuar chorando sem motivo, para continuar vivendo, para continuar vivendo...
Só nos contentamos com a felicidade momentânea, ou seja, a alegria que ao relaxarmos um pouco, esquecendo do stress no final do semana, nosso corpo produz, mas em uma única dose, uma única substância.

Passa segunda, terça, quarta, quinta, talvez até sexta, para aproveitarmos, para curtimos um momento, um tempo, um cinema, o sofá, um jantar com a família, uma balada com os amigos só no sábado?!
Esperamos uma semana para termos algo que acaba nem começando.
Será que estamos cegos de tanto usar o computador, surdos de tanta buzina, insensíveis de tanta individualidade, que vamos deixando as coisas, o tempo, a vida, tudo passar enquanto nos movemos, mas em movimento retílineo uniforme retardado?
Por que será que a gente, sim, os nerds também, os baladeiros, os românticos, os realistas, os otimistas, os céticos, os loucos, deixamos tudo para sexta a noite?
Será que não dá para ser feliz na segunda-feira? Teve ter um meio, é só uma segunda-feira, o início do fim, mas pode ser numa terça, pode ser em qualquer dia... Qualquer dia podemos perceber que podemos e devemos viver qualquer coisa antes que não apenas um sorriso se desfaçe de nossa face ou não apenas um cabelo branco surja em nossa raiz, de nos tornarmos velhos ou infelizes por ser tarde... Podemos viver intensamente qualquer dia, não precisamos esperar sexta-feira a noite.





Tchau, vou para a balada hoje.

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