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28 de jan. de 2009

2009.

Minha vida não vai ser a mesma.

Descobri que existe outra de mim, uma outra Érica Perazza.
Ela me encontrou no Facebook e deixou um recado. Como ela, eu pensava que era a única, que eu era inédita. Mas não. Não sou.
Tudo bem que ela mora nos Eua, é de New Jersey, se casou e virou Erica Perazza Powell.
Mas isso ainda não me anima.

Como será que os Zés da Silva se sentem? Adrianas Oliveira? Joães Souza?

Terrível.
Sinto desconforto quando alguém tem o mesmo nome do que eu, tanto que não tenho nenhuma amiga Érica, e ainda quando alguém é igual a mim em algo. Eu gosto de ser isolada, marginalizada, inadaptada, inadequada, não escolhida pela seleção natural.
Ter um padrão, ser comum é um assalto a identidade.
Viva os alternativos, que conseguem diferenciar sua face da multidão, massa cinzenta e podre.

Mas eu não sou alternativa.
Sou completamente comum.
Sou louca.

Não gosto de assistir TV, de me bombardear com as notícias uma seguida da outra que não dão tempo nem para você associar, pensar. E não aguento, sou fraca. Fico nervosa, enfurecida.
O povo que fica na fila dos hospitais há anos, o hospital confessou que há falta de médicos e o Ministério da Saúde culpou o excesso de pacientes. Mas tão rápido dão a notícia, vem outra, e você logo esquece. Mas eu não consegui prestar atenção na outra.
Como? Que cúmulo!
Como o Ministério pode culpar o execesso de pacientes? HAHAHAHA!
Há excesso de desempregados ( e há noticía que diminiu nos últimos 10 anos... Deve ser porque morreram de fome. Outra vez estudando números.... números...)
Ninguém faz porra nenhuma nessa merda. Onde já se viu, o governo culpar o povo por estar doente? Pensando bem, é culpa do povo mesmo que aceita essa vida cretina. Quer continuar não tendo saneamento básico, e se contaminar, sobreviver na miséria. Ok, eu sei que tem gente que reinvidica, mas tem gente que acha que o Lula é bom presidente. ( Não que seja TUDO culpa dele e do governo, mas quero dizer, que as pessoas simplesmente se acomodam)
Ele não solucionou as raízes dos problemas. Esse ridículo retrato do povo brazuca. Quando chega ao poder ou começa a ganhar mais grana, ficar pop, muda de caráter, muda de partido, de ideologia, muda, muda. É uma pena porque o passado dele foi tão revolucionário. Eu, mesmo com meus 14 anos quando ele foi eleito, cheguei a acreditar que ele e nós brasileiros, tornariamos o Brasil um país melhor. Mas não. O tornamos cada vez pior.

Traficantes e policiais, assassinatos e assaltos, hipocrisia e comodismo, funk, putaria e desprezo pela cultura, corrupção, safadeza, negligência, classe média, classe alta, pobres, camelôs, banqueiros, prostituição, trânsito caótico, stress, preconceito, brigas totalmente idiotas por futebol ou qualquer outra coisa inútil, criança na rua ou no tráfico de drogas e não na escola ou numa cama quente em casa, Oscar Freire, Hilton ao lado de favelas, gente na ponte, gente no farol, jogadores de futebol tarados, desmatamento, poluição, gente porca, gente sem noção, gente ridícula que se acha, gente iludida, Mc Donald's e outros lugares que aumentam os preços e continuamos a frequentar sem contestar nem mesmo o nosso salário, abuso da inocência de crianças e idosos, nojentos xavequeiros, mulheres mal comidas e mal amadas, homens gays bonitos, calamidade pública, e estarmos acostumados com isso, mas nos espantarmos com demonstrações de afeto, gentilezas, pessoas boas e educadas e considerarmos um absurdo, coisa de outro planeta.


Espera.
Minha vida vai ser mais a mesma - pelo menos até eu casar com o Príncipe William.


O Brasil continua uma merda sem igual e eu vou continuar achando que não pertenço a essa sociedade e que não encaixo em nenhum lugar - talvez só Londres e olhe lá - e vou continuar postando minhas reclamações, minhas indignações e as injustiças, putarias e bizarrices deste meu querido País das Maravilhas.



28 de nov. de 2008

Se Hitler tivesse vendido um quadro - parte 1

O que é capitalismo?

A visão de lucros, competividade, globalização?
Para mim, o capitalismo é o consumismo, a essência do sistema.

Após a Segunda Revolução Industrial, a Inglaterra, a potência daquela época, queria ampliar suas trocas comerciais, ou seja, queria tanto tomar um mercado consumidor mundial quanto maiores fornecedores de matérias-primas. Logo, defendendo seus interesses econômicos, ela defendeu a abolição da escravidão e a independência dos países da América Latina, inclusive do Brasil.
Com isso, os países recém independentes rapidamente tornaram-se subdesenvolvidos e um dos motivos foi essa dependência econômica que a Inglaterra controlava.

As décadas passaram, a belle époque acabou, a Rússia se pintou de vermelho e Hitler não vendeu nenhum quadro.
Em 1939 se deu início ao maior pesadelo da História, uma das manchas mais escuras da humanidade, a Segunda Guerra Mundial.
Não ocorreu uma simples bipolarização do globo como aconteceu na Guerra Fria.
O planeta não era formado por seres humanos, atmosfera, minérios, vulcões, pólos, mas por judeus, ingleses, nazistas, comunistas, soldados, enfermeiras, morte, medo, pedaços, poeira.
Com a "heróica" entrada hollywoodiana dos EUA, a Guerra foi decidida. Sim, os EUA salvaram o mundo do nazismo, mas trouxeram outro vilão autoritário: eles mesmos.

Os Eua (e/ou capitalismo) sempre lucraram com guerras e a primeira vez foi a Primeira Guerra Mundial, já que forneciam armamentos aos países aliados. Na Segunda Guerra não foi muito diferente. A única diferença foi que depois ao "ataque" a Pearl Harbor pelos japoneses, eles entraram na guerra para realmente lutar. E lembramos que aqui no Brasil foi praticamente igual.
Navios brasileiros foram "afundados" por alemães e mudamos de lado.

Com o fim da Guerra, um lado da Europa podia até ser o vencedor, contudo, como fora palco dos conflitos estava arrasada, destruída e não tinha um centavo para gastar em sua reconstrução. Foi outro momento que os Eua entraram como heróis mais uma vez através do Plano Marshall, no qual ajudavam financeiramente, até mesmo a Alemanha e assim, a Europa se reestabeleceu. Mas a hegemonia mudou-se de continente e permanece até hoje no norte da América.
Os Eua já deram inúmeros exemplos de seu absolutismo. O primeiro pode ser datado quando as bombas atômicas foram lançadas no Japão. É claramente o mais violento, sendo que até hoje em Hiroshima e Nagazaki morrem pessoas com câncer pelo efeito nuclear das bombas.
Outro exemplo é Hollywood. Os filmes produzidos na maior fábrica cinematográfica do planeta são as mensagens subliminares para a imposição da sociedade civilizada. E para os norte-americanos, como foi um dia para os romanos, a sociedade civilizada é aquela que possui a mesma cultura, os mesmo valores, desejos e sonhos. O resto é considerado bárbaro.

E cá estamos, totalmente americanizados, com uma identidade perdida... ainda.

Quantos filmes brasileiros você já viu?
Os seus preferidos são os blockbusters, cheios de efeitos especiais, com piadas que você não entende?

Você fala inglês?

Você tem Ipod?

Você come Doritos, hamburguer, Coca-Cola?

Você assiste Heroes, Desperate Housewives, Friends, CNN?

Você acha que isso tudo é realmente resultado da globalização?

Em cada um de nós, existe um americano, inegavelmente.
Na outra metade, pode até haver um revolucionário, mas ele é preguiçoso e facilmente vencido pelo consumismo.

Não adianta ser contra o sistema, ele já determinou nossa cultura.
Você vai largar sua vida atual e ir as ruas, exigir seus direitos, lutar contra ideologias falsas?
Uma guerra sem batalha.
Por que vamos lutar pela vida dos outros, enquanto mal conseguimos sobreviver a nossa própria realidade?

Nossos sonhos de um mundo melhor, mais igual, sem fome, sem miséria, mais justo, mais solidário, foram substituídos por BMWs, notebooks, viagens para o Havaí, condôminios fechados e seguros, iate particular, brincos da Tiffany.

Nós perdemos nossa identidade
Somos essa massa sem face
Indistinta sem sono
Em constantes lutas individuais.
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